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Andando pela rua 12/06/2007

Posted by Rita in Dia-a-dia.
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Cheguei agora a casa e não me apetece falar sobre o dia de hoje. Não que tenha sido mau, pelo contrário, até consegui desemburrar no que estava a fazer e tudo. Mas hoje, quando vinha para casa, tive o meu fenómeno mosaico. Eu chamo fenómeno mosaico ao facto de ir a andar pela rua e de ver pequenos episódios da vida de outras pessoas, parte duma conversa, qualquer coisa que se destaca da massa humana e que me ficam gravados na ideia.

Quando venho da faculdade, tenho que passar por uma rua menos directa porque o caminho mais directo está cortado (há mais de um ano) para que seja feita a ligação entre duas linhas de metro. Numa das esquinas antes de chegar à avenida, há uma casa muito velha, com as portas de madeira apodrecida semi-enroladas em trapos sujos e poeirentos. Muitas vezes, está encostado a essa porta um homem de cor, vestido com um fato cinzento que lhe fica grande demais, com fones nos ouvidos e atento a todo o movimento. Hoje, quando estava quase a chegar perto dele, ele começou a andar atrás da mulher que ia à minha frente. Seguiu-a durante um bocadinho, depois parou e gritou “Amanhã é feriado. Bom feriado!” e voltou para o seu posto.

Ao passar em frente ao Saldanha Residence, reparei num casal novo parado. Ele parecia novo, olhava para o lado, com aquela expressão típica dos rapazes novos quando não se sentem bem numa determinada situação e desejam estar a anos-luz daquele sítio. Ela usava óculos, tinha as feições miúdas, o cabelo liso atado num rabo de cavalo e falava enquanto chorava de mansinho. Como é óbvio, não ouvi a conversa mas quando passei ouvi uma única frase que explicava toda a situação “Mas é que eu gosto de ti…”.

A caminho do Monumental, o passeio delimitado com fitas vermelhas e brancas e as pessoas obrigadas a passar junto à porta de acesso aos escritórios, onde o espaço é reduzido por causa de um pilar inconveniente. Um casal de idosos passa pelo estreito, devagar, devagarinho, enquanto do outro lado uma mulher grávida esperava pela sua vez de passar. A minha imaginação fértil leva-me a pensar em alguém dependurado do topo do edíficio, a ameaçar suicidar-se, mas afinal estavam apenas a limpar as janelas nos últimos andares.

Já estou em casa, chega de observação por hoje.

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