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Eu não sou daqui 01/06/2007

Posted by Rita in Dia-a-dia.
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Às vezes acho que não sou mesmo daqui. Passo a explicar: já não me lembro onde mas penso que foi num blog perdido na Internet uma história sobre um país nórdico, já não me lembro qual. Muito rapidamente, a história era sobre uma pessoa que estava a trabalhar lá e foi para o seu trabalhinho com um colega natural desse país. Ficou muito espantado porque chegaram ao trabalho muito cedo, o parque de estacionamento enorme estava praticamente vazio e o colega estacionou o carro muito longe do edifício para onde tinham que ir. Ele perguntou porquê, e o colega explicou-lhe que, como era cedo e havia muitos lugares, eles deveriam estacionar mais longe para que os colegas que, por alguma razão, se atrasassem um pouco, tivessem lugar mais perto da entrada e assim não se atrasassem mais.

Como sabemos, o edifício de Engenharia Informática aqui no IST está subdimensionado para a quantidade de alunos que o curso aceita. Independentemente de se tentar colar mais cabos de rede e acrescentar mais tomadas e mudar mesas e cadeiras daqui para ali, nunca há recursos suficientes e encontrar um ponto de trabalho com uma tomada por perto é quase tão díficil como ganhar o Euromilhões, em certas alturas do ano. Normalmente, venho trabalhar para a cave porque, além de não termos biblioteca, não gosto de estar no silêncio absoluto. Como chego de manhã cedo e só me vou embora no fim do dia, consigo encontrar um lugar decente na maioria dos casos. Ultimamente, descobri uma mesa que apenas tem acesso a uma única tomada, ainda por cima num sítio de acesso díficil. Foi então que pensei que deveria ocupar essa mesa porque trabalho sempre sozinha e assim escuso de me sentar perto de um bloco de 4 tomadas e “inviabilizar” as restantes. Não é que eu cheire mal ou seja assim tão feia :) , mas é natural, os grupos normalmente são de 4 elementos e mesmo quando as pessoas estão sozinhas tentam sempre evitar ficar mais apertadas… Pronto, resumindo, a menina aqui agora senta-se sempre na mesa perto da qual só há uma tomada porque, desde que se deu conta disso, acha que é isso que deve fazer para não prejudicar ou incomodar ninguém. Só eu, certo? A minha mãe diria que eu não existo, o meu pai diria que eu sou parva… eu digo que não sou deste país…